quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Fernando Spaziani realiza exposição no Espaço Cultural Cristal


“FERNANDO SPAZIANI: PINTURAS”
ESPAÇO CULTURAL CRISTAL
  
O artista paulista apresenta pela primeira vez sua produção recente de pinturas em acrílica sobre tela, dividida em três séries, totalmente concebida e inspirada no Ateliê Spaziani, espaço criado por ele no Centro de São Paulo, em edifício histórico e restaurado, de 1928.

Abertura: 1 de dezembro, terça, das 19h às 22h
Visitação: de 2 de dezembro de 2015 a 17 de janeiro de 2016


O Espaço Cultural Cristal expõe a partir do dia 01 de dezembro, terça-feira, a partir das 19h, a exposição “Fernando Spaziani: Pinturas”, composta de 20 obras em acrílica sobre tela, divididas em três séries: “Color”, “Crostas” e “Vento Sussurrante”. Todas as séries evidenciam uma referência direta ao entorno e à localização do ateliê do artista, inaugurado em 2013, no Edifício Oscar Rodrigues, Boulevard São João, no Centro Histórico da Capital Paulista.

A série “Color” exibe pinturas expressivas e gestuais, em fundos de cores fortes, trazidas de elementos que ainda compõem os ornamentos do prédio onde funciona o ateliê, a exemplo de gradis e metais dourados, o elevador pantográfico vermelho, etc, em oposição ou complemento às cores de antigas pinturas da fachada e das paredes internas do prédio e do ateliê, ao longo de sua existência, pesquisadas pelo artista.
“Crostas” une pigmentos e tinta acrílica a elementos estranhos à pintura convencional como o pó de mármore, areia, spray automotivo e pó urbano recolhido nas ruas do Centro de São Paulo. A partir da junção destes materiais surgem algumas obras com muitas texturas e veladuras que transparecem o fundo da tela. Em outras delas, o resultado é o inverso: o fundo é que revela as texturas.

Por fim, a série “Vento Sussurrante” inaugura uma investigação do artista sobre a condição humana dos imigrantes africanos e sul americanos que estão ocupando o Centro da cidade, em sua maioria vivendo e trabalhando de maneira clandestina, em busca de uma vida melhor que em seus países de origem. Escadas, chaves, o mar, cercas, dualidades, a esperança e os paradoxos, são alguns dos elementos presentes e que inspiram as pinturas.

A trajetória:

Spaziani começou a pintar aos 17 anos de idade em Araraquara (SP), onde participou do 1º Salão de Arte Contemporânea (1988) da cidade e ganhou uma bolsa de estudo em São Paulo, para onde se mudou em 1992.  Frequentando as aulas de Sergio Fingermann, Tuneu, Guto Lacaz e Shirley Paes Leme, entre outros, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, à época um dos espaços mais interessantes da cidade, o artista elegeu como meio de expressão a pintura com tinta acrílica confeccionada artesanalmente através de pigmentos e verniz.

Em Outubro de 2013 inaugurou o Ateliê Spaziani, espaço situado em um prédio histórico de 1928, no Centro de São Paulo, no Boulevard São João, local que passa por uma mudança expressiva para tornar-se polo cultural, com a inauguração da Praça das Artes, além do Centro Cultural dos Correios, Galeria Olido e a instalação de diversos ateliês e galerias de arte, entre outras iniciativas. O espaço funciona como ateliê, mas também como local de encontro e discussão de arte, por meio de cursos, saraus e eventos.

“Muitas vezes deixo de voltar para o meu apartamento na Vila Mariana para vivenciar o Centro da cidade e o Edifício Oscar Rodrigues, passando dias e meses por ali” – conta o artista. “Eu percebi, desde a instalação do ateliê, que habitar aquele local seria fundamental para criar novas pinturas que dialogassem com o entorno dele e com a realidade da população que vive e trabalha naquela região da Metrópole”, complementa.

Resumo biográfico:

Fernando Spaziani (São Carlos/SP, 1971), é graduado em Letras e Mestre em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo/USP. Atualmente, aos 44 anos, é Gerente de Programação no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo e responsável pela composição da grade de programação da instituição, na qual atua desde a inauguração em 2001.

Artista plástico, conta com diversas exposições individuais e coletivas, com destaque para duas edições do “Salão Paulista de Arte Contemporânea”, mostras no SESC Pompéia e SESC Belenzinho, “Painel ABCA” e exposição “Heranças Contemporâneas” no MAC USP, Salões de Arte de Santo André e São Bernardo do Campo, “Projeto Nascente da USP”, entre outros, de 1985 aos dias atuais.  Também frequenta congressos, cursos e ateliês de artistas, com menção especial à Oficina Cultural Oswald de Andrade em São Paulo, onde mantém seu ateliê de 1992 a 1999.

Em 1996 é premiado com uma viagem a Nova Iorque, ao participar de concurso cultural nacional da M.Officer, o que também rende um estágio em Direção de Arte na grife paulista.

Como curador independente apresenta artistas plásticos em exposições, faz curadoria para o Centro Cultural dos Correios, escreve textos críticos e faz parte de importantes júris de arte na cidade e Estado de São Paulo.

Exposições na Cristal:

Desde a inauguração da pizzaria em 1981 os sócios proprietários incentivaram o seu uso como um espaço cultural alternativo, e já naquela década o galerista Paulo Figueiredo organizava mostras na casa após exposições realizadas originalmente na galeria que levava o seu nome.

Partindo dessa ideia, o Espaço Cultural Cristal inaugurou sua primeira exposição em 1991, com o artista Luis Hermano. De lá pra cá já foram mais de 120 exposições diferentes com nomes consagrados como Tomoshigue Kusuno, Peticov, Claudio Tozzi, Ivald Granto, além de Aldemir Martins, que pintou nas caixas de pizza, especialmente para a ocasião.

A fotografia também sempre teve espaço na casa e já passaram por lá fotógrafos como Eduardo Villares, Matangra, Patrick Altmann, Jade Stickel, bem como uma mostra paralela à Mostra Internacional de Fotografia do Estado de SP.

Além de exibir artistas consagrados, o espaço também abriga jovens criadores, ideias e novas propostas como forma de incentivar a produção artística contemporânea, uma vez que todos os trabalhos podem ser comercializados.

Desta forma, o Espaço Cultural Cristal firma-se como um ponto de exposição para os artistas, em mostras com duração média de um mês, e como uma alternativa para o público entrar em contato com as artes visuais, num ambiente acolhedor e descontraído.

Cristal Pizza & Grill
Visitação:
De 01 de Dezembro de 2015 a 17 de janeiro de 2016
Diariamente, de domingo a quinta, das 19h às 24h;
Sexta e sábado, das 19h às 01h.

Endereço:
Rua Professor Arthur Ramos, 551 – Jardim Paulistano
São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3031-0828 E-mail: cristal@cristalpizza.com.br

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência // Ar-condicionado // Pizzaria // Bar // Estacionamento no local

Referências adicionais:


Informações para a imprensa:
Solange Viana | t. (11) 4777.0234 | solange.viana@uol.com.br |






terça-feira, 3 de novembro de 2015

POEMAS NO CHÃO | Exposição "A Palavra palavra" de Jorge Menna Barreto que acontece na CARBONO Galeria


Carbono Galeria apresenta: A palavra palavra
Exposição de Jorge Menna Barreto

Abertura: 10 de novembro, terça-feira, das 19h às 22h
Visitação: de 11 de novembro de 2015 a 30 de janeiro de 2016

A arte das palavras na obra de Jorge Menna Barreto

Artistas convidados: Artur Lescher, Célia Euvaldo, Carlos Fajardo, Daniel Steegmann, Felipe Cohen, Gustavo Speridião, Jenny Holzer, Josef Albers. Juan Fontanive, Julio Le Parc, Laura Lima, Lenora de Barros, Luiza Baldan, Marcius Galan, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Rachel Whiteread, Regina Silveira, Sérvulo Esmeraldo, Tatiana Blass.


A Carbono Galeria, abre no próximo dia 10 de novembro, terça-feira, a partir das 19h, a exposição “A palavra palavra” de Jorge Menna Barreto, em parceria com a curadora e crítica de arte, Galciani Neves, que também faz o texto de apresentação da mostra, criada especialmente para a galeria. Será uma recriação do projeto feito pelo artista para o 32º Panorama da Arte Brasileira, realizado em 2011, no MAM, onde palavras criadas da mistura de termos distintos, são escritas em tapetes de borracha. 

Com o exercício de associar uma ou mais palavras a uma obra ou conjunto, os tapetes funcionavam como disparadores de conversas sobre as obras. A ambiguidade dos termos trabalha a favor de um discurso aberto, sem um ponto de chegada definido. Como ferramenta educativa, portanto, os capachos distanciam-se de um discurso “esclarecedor”, atuando como provocadores ao invés de mediadores de um conteúdo primeiro.

As obras expostas na galeria tem o intuito de acarretar discussões sobre a maneira que cada individuo percebe ou internaliza cada uma das peças apresentadas.

O processo curatorial foi montado baseando-se no acervo da galeria. Obras estas, feitas com exclusividade para a Carbono.

A coletiva reúne edições dos seguintes artistas: Artur Lescher, Célia Euvaldo, Carlos Fajardo, Daniel Steegmann, Felipe Cohen, Gustavo Speridião, Jenny Holzer, Josef Albers. Juan Fontanive, Julio Le Parc, Laura Lima, Lenora de Barros, Luiza Baldan, Marcius Galan, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Rachel Whiteread, Regina Silveira, Sérvulo Esmeraldo, Tatiana Blass.

Para o artista Jorge Menna Barreto, o conjunto de palavras pensadas para os tapetes flerta com a intenção de um texto crítico sobre a exposição. “Ao mesmo tempo, se distanciam de um texto do gênero em sua subversão da linguagem, que por sua vez as aproxima do texto poético ou das próprias obras”, explica. E acrescenta: “Habitam, assim, um território ambíguo, em trânsito entre obra, discurso crítico e dispositivo de mediação.”

Para a curadora, Galciani Neves “E toda palavra nua é um encontro de nadas. De um deslize sem rastro, atônito, entre vozes que não se deixam escrever. Vem daí a tarefa de sua investigação: traçar, a todo custo, sua origem. Toda palavra é útil. Mera convenção entre os ruídos, é lembrança de um acontecimento nítido ou tradução de uma imagem instantânea, com passado e futuro, explicando o mundo desconhecido, para saber e para fazer saber. Toda palavra é desmesura, como se, naquele poço em que se aprofundou de muito em muito, no fundo do breu, deixando-se cair na dúvida, fosse levando restos de parede, roçando em dedos, complicando-se em partículas minúsculas para não mais se deixar compreender” observa.

Na ocasião teremos uma ação social, onde serão vendidas camisetas (Art-Shirt) dos artistas Tomie Ohtake e Cassio Vasconcellos, realizadas especialmente para essa edição e com renda integral revertida para Casa Zezinho.  Para mais informações clique aqui.

SERVIÇO:
A PALAVRA PALAVRA
De: Jorge Menna Barreto
Curadoria: Jorge Menna Barreto e Galciani Neves 
Abertura: terça, 10.11.15 – 19h às 22h
Exposição: 10.11.15 à 30.01.16
Horários da galeria: Segunda à sexta, das 10h às 19h
                                 Sábado, das 11h às 15h

Assessoria de Imprensa: Solange Viana | t. (11) 4777.0234 | solange.viana@uol.com.br | HTTP://solangeviana.blogspot.com | @solangeviana



Artistas participantes: Artur Lescher | Célia Euvaldo | Carlos Fajardo | Daniel Steegmann | Felipe Cohen | Gustavo Speridião | Jenny Holzer | Jorge Menna Barreto | Josef Albers | Juan Fontanive | Julio Le Parc | Laura Lima | Lenora de Barros | Luiza Baldan | Marcius Galan | Nelson Leirner | Paulo Bruscky | Rachel Whiteread | Regina Silveira| Sérvulo Esmeraldo | Tatiana Blass |

A palavra palavra

Toda palavra foge de um poço chamado solidão. E, ao livrar-se desse lá no fundo, vai se modificando na língua (músculo do outro). Força limites, repete-se sem parar, teimosa e inevitável, como se nunca tivesse acontecido antes. Nem toda palavra dita é útil. As mais absurdas, intrusivas e assustadoras são mais comuns do que se imagina. Forjadas frescamente por um delírio, fermentam em vão ideias evocadas, acontecimentos deambulantes, desassossegos.

E toda palavra nua é um encontro de nadas. De um deslize sem rastro, atônito, entre vozes que não se deixam escrever. Vem daí a tarefa de sua investigação: traçar, a todo custo, sua origem. Toda palavra é útil: convenção entre os ruídos, é lembrança de um acontecimento nítido ou tradução de uma imagem instantânea, com passado e futuro, explicando o mundo desconhecido, para saber e para fazer saber. Toda palavra é desmesura, como se, naquele poço em que se aprofundou de muito em muito, no fundo do breu, deixando-se cair na dúvida, fosse levando restos de parede, roçando em dedos, complicando-se em partículas minúsculas para não mais se deixar compreender.

Nesses extremos, que definem os exercícios da palavra para referir-se às coisas, Jorge Menna Barreto infiltra-se para acionar uma espécie de antinomia da palavra – contraditoriamente, do individual para o universal, da singularidade própria de um que quer avançar para o todo e qualquer um que se encaixe, forçadamente, em uma dada categoria. O artista provoca o núcleo duro das palavras, recolhe, refaz, indistinguindo seus radicais.

Na Galeria Carbono, os trabalhos selecionados do acervo para habitar um conjunto não apaziguado convivem com suas “Desleituras”, título de um projeto de Jorge já vivenciado no 32º Panorama da Arte Brasileira (2011) no MAM-SP. Na ocasião, o artista desenvolveu palavras a partir da hibridização, mescla e sobreposição de termos e conceitos com o intuito de potencializar discursos e processos de percepção com o público acerca dos trabalhos da mostra em questão.

As desleituras são impressas em tapetes de borracha e se configuraram como dipositivos poético-educativos, como disparadores de conversas em visita a uma dada exposição. Sugerem uma subversão dos processos de mediação artística que, por vezes, pretendem “explicar” a obra, oferecer um discurso fechado ou assertivo. Segundo o artista, as desleituras flertam com os procedimentos presentes em textos críticos e estão em um território ambíguo: em pleno fluxo entre obra, exercício crítico e dispositivos de mediação.

A palavra é procedimento do artista para deslocar e expandir a pretensa pureza original dos trabalhos, o dito ponto crucial em que o pensamento pode construir reflexões sempre díspares acerca de cada poética aqui presente. Assim, propõe validades perceptivas e moventes e não verdades irreversíveis. As “desleituras”, processos erguidos a partir das poéticas de outros artistas, o que é muito diferente de sobre, realizam-se na dimensão do provável, do circundante e, ao mesmo tempo, através desses trabalhos.

Talvez convenha não arriscar a origem das palavras ao rés do chão. Ou melhor, arrisque-se. E nade em aparências. Elas vão nos trair. Caminhe com os pés esmagando as palavras, exaurindo-as em seiva. Avance, rasgando, esfaqueando a teia, que é o texto, tessitura da aranha, que se desfaz para construir sua casa-armadilha. Percorra, meio sem jeito, o outro lado desses casulos. Finque suas bandeiras de certeza. Sufoque-se nesse lugar movediço. São palavras – arcos com flechas direcionados para nós mesmos.

Galciani Neves

(novembro/2015)