segunda-feira, 17 de março de 2014

Imperdível: Alex katz é destaque na LUCIANA BRITO GALERIA


Alex Katz em seleção inédita na Luciana Brito Galeria

Um dos maiores nomes da pintura norte-americana, artista
apresenta obras recentes na Luciana Brito Galeria e na sp-arte, pouco antes da inauguração de sala dedicada e ele na Tate Modern



Apesar de numerosas retrospectivas e exposições solo em instituições como Whitney Museu, Tokyo Seibu Museum of Art, London Institute of Contemporary Arts, MoMA PS1, Albertina Museum e Tate, e de ser tema de um dos mais aclamados ensaios do crítico Hans Belting, Alex Katz até hoje só realizou uma mostra individual no Brasil, em 2010, na Luciana Brito Galeria. A dupla de mostras que a galeria preparou para 2014, que acontece primeiro com três pinturas de grandes dimensões na sp-arte e depois com 11 trabalhos inéditos na galeria, será uma oportunidade para conhecer melhor uma produção central na história da arte moderna e contemporânea. O artista, aliás, terá uma sala exclusivamente dedicada a sua obra inaugurada na londrina Tate Modern em 28 de maio.

Mesmo para o público que teve a oportunidade de ver uma de suas retrospectivas, como a que o Whitney Museum organizou anos atrás, as exposições que a Luciana Brito Galeria organiza agora têm algo de importante a acrescentar. Isso porque, além do fato de o artista norte-americano ser pouco estudado no Brasil, essa é a primeira vez que sua série de couples (duplas, ou casais) é exibida mundialmente.

Alex Katz já havia anteriormente trabalhado a figura humana sobre fundo negro, mas, desta vez, suas opções cromáticas, somadas à presença insistente de duas pessoas, parece aprofundar um dos aspectos mais ricos de seu trabalho: a distância entre os seres. Se os tons escuros ressaltam um certo caráter de abismo que caracteriza essas distâncias, a presença de duas figuras humanas reitera que eventualmente estão representadas ali duas solidões compartilhadas.

Essa série – representada na Luciana Brito Galeria por três grandes pinturas e oito estudos – é um bom exemplo para se compreender aquilo que o artista, em entrevista ao curador e teórico Roberto Storr, comparou com a ideia do “pintor da vida moderna” forjada por Baudelaire, noção que o poeta concebeu para comentar o modo como Constantin Guys captava aspecto definidores da vida moderna. No caso de Alex Katz, pode-se dizer que – debaixo da beleza instantaneamente apreensível, do deleite visual de suas obras, do forte e depurado estilo – somos confrontados com o lado performativo da presença humana, tão exacerbado hoje em dia.

Há, na obra de Alex Katz, uma grande complexidade enunciada com extrema economia. O artista atinge esse nível de compreensão daquilo que pinta porque, como ele próprio definiu, procura retratar e não descrever. Alex Katz declaradamente dá grande importância à técnica e ao estilo, e esse tipo de rigor, somado ao modo como seus trabalhos em geral retratam pessoas elegantes e cenários que transmitem sensação imediata de conforto, pode enganar um observador apressado.

Por exemplo, nos três trabalhos que compõem a mostra do artista na sp-arte, há um cuidado na compreensão da luz que propõe uma reflexão que vai muito além do tema retratado – em termos meramente descritivos, as obras são três grandes pinturas de temas litorâneos ou solares, mas o que elas têm a dizer sobre nossa experiência no mundo e o potencial poético da pintura poderia encher compêndios.

Se estiver atento em meio às “ciladas” que uma arte tão depurada oferece, o público poderia reescrever o modo como o professor e crítico Donald Kuspit descreveu o trabalho de Alex Katz: fresco como o amanhã (“fresh as tomorrow”). O comentário foi feito sobre sua produção dos anos 60. Ao perceber o rigor e elegância com que ele se mantém abordando tanto a condição humana quanto questões formais e sensoriais, pode-se pensar em seu trabalho como ‘enigmático como o instante’.


Sobre o artista

Nascido no Brooklin, Nova York, em 1927, Alex Katz era filho de um comerciante e uma atriz com forte interesse por poesia, ambos de origem russa. Em 1946, ingressou na Cooper Union Art School, em Manhattan, onde foi orientado por Morris Kantor. Sua primeira exposiçãoo individual acontece em 1954, na Roko Gallery, e o convívio subsequente com pintores como Larry Rivers, Fairfield Porter, o fotografo Rudolpf Burckhardt, e os poetas John Ashbery, Edwin Denby , Frank O’Hara e James Schuyler teria impacto em sua formação. No início da década de 60, influenciado pelo cinema, televisão e publicidade, passa a pintar em larga escala, interesse que ele funde a sua dedicação ao retrato. Aliás, o modo como ele utiliza os planos de fundo monocromáticos de certa forma antecipa um dos aspectos centrais da pop art. Com mais de 200 exposições individuais e quase 500 mostras coletivas em sua carreira, Alex Katz tem trabalhos em mais de 100 coleções, como as do Albright-Knox Museum, Buffalo; The Art Institute of Chicago; The Brooklyn Museum; Carnegie Museum of Art, Pittsburgh; The Metropolitan Museum of Art, New York; The Museum of Modern Art, New York; The National Gallery of Art, Washington, D.C.; The Whitney Museum of American Art, New York; Berardo Collection (Portugal); the Essl Collection (Austria); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Espanha); Saatchi Collection (Inglaterra); Tate Gallery (Inglaterra).


s e r v i ç o

Alex Katz

sp-arte / 2014 :: 3 a 6 de abril
Pavilhão da Bienal ::: Parque do Ibirapuera, Portão 3
quinta a sábado, das 13 às 21h ::: domingo, das 11 às 19h
R$ 40,00 [inteira] ::: R$ 20,00 [meia entrada]

Obras apresentadas:
Untitled Nudes (2013), óleo sobre linho. 222.5 x 378.5 cm
People (2012), óleo sobre linho. 239 x 180.5 cm
Kristen (2011), óleo sobre linho. 167.5 x 122 cm



Luciana Brito Galeria :: 8 de abril a 31 de maio
R. Gomes de Carvalho 842 ::: São Paulo Brasil ::: CEP 04547-003
(55 11) 3842 0634 ::: terça a sábado, das 10 às 19h ::: entrada gratuita
info@lucianabritogaleria.com.br

Obras apresentadas:
Elizabeth (2014), óleo sobre linho. 213.5 x 152.5 cm
Jamie and Anna (2014), óleo sobre linho. 122 x 274.5 cm
Thor and Elizabeth (2014), óleo sobre linho. 122 x 274.5 cm
Elizabeth (2014), óleo sobre papel. 40,6 x 30,5 cm
Jamie (2014), óleo sobre papel. 40,6 x 30,5 cm
Anna (2014), óleo sobre papel. 40,6 x 30,5 cm
Thor (2014), óleo sobre papel. 40,6 x 30,5 cm 


Assessoria de Imprensa: Solange Viana 
solange.viana@uol.com.br | t. 4777.0234 

Anote na AGENDA | Semana de SP Arte esquenta as Galerias de Arte de São Paulo


Depois de dois meses plantando, em reuniões constantes e intermináveis, vamos, enfim, aos trabalhos. Realmente o mercado de arte esquentou logo após o carnaval,  apesar de estarmos ‘ligados”, conectados desde dia 2 de janeiro deste ano...Vai entender? Pois é. Agora agüenta.

Em semana de SP Arte, de 2 a 6 de abril (quarta, com a abertura p/ convidados, a 6, domingo) teremos uma Programação frenética, aproveitando ainda mais, os visitantes como curadores, diretores de museus,  da Tate, além de festas e almoços exclusivos,  fechados. Tudo em nome da Arte Contemporânea. Uma delícia.

Alguns destaques:
A semana será quente de 17 de março, segunda (hoje), a 05 de abril, sábado.

No dia 27 de março, desembarca no Brasil Joana Vasconcelos, artista top portuguesa, que já participou de 3 Bienais de Veneza, é a primeira mulher a expor em Versailles, é badalada, e volta com tudo para a Casa Triângulo, após 6 anos de ausência. Sua individual abre dia 31 de março para convidados.

Na sequiecia, no dia 1 de abril, faremos um brunch especial em ocasião da exposição de ALEX KATZ, na Luciana Brito Galeria. Acompanhe tudo por aqui.

Ver TODAS as informações completas aqui, no site | Blog SOLANGE VIANA NOTÍCIA. releases | fotos em alta resolução | informações do livro | PDFS ETC.

CASA TRIÂNGULO | PROGRAMAÇÃO

JOANA VASCONCELOS . CASARÃO
Abertura: 31 de março, das 18 às 21 horas
Período da exposição: de 01 de abril a 10 de maio de 2014
Local: Casa Triângulo

LANÇAMENTO DO LIVRO CASA TRIÂNGULO 2013/1988
04 de abril às 18 horas
Local: SP-Arte, Pavilhão da Bienal, São Paulo

CASA TRIÂNGULO NO PIVÔ
EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DE 25 ANOS DA GALERIA
Abertura: 5 de abril, das 10 às 14 horas
Período da exposição: 8 a 26 de abril de 2014
Local: Espaço Cultural Pivô, Edifício Copan, São Paulo



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

ALEX CERVENY é CAPA DO ESTADÃO!

Com exposição "mar interior", Alex Cervey é destaque de CAPA do Caderno 2 | Estadão, além da CAPA principal do jornal. Leiam. A exposição acontece até sábado, 21 de dezembro, na Casa Triângulo.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Próxima exposição da Casa Triângulo: Alex Cerveny


Casa Triângulo apresenta
Alex Cerveny: Mar interior

Mar interior | individual de Alex Cerveny

Abertura: 23 de novembro, sábado, das 12h às 17h
Visitação: 26 de novembro a 21 de dezembro de 2013

Eu me sinto mais um escritor que escreve imagens, me sinto mais um cronista que um artista. A tradição que me agrada na arte é essa de contar histórias, como retábulos, como os muros assírios que contam histórias de batalhas...”
Alex Cerveny

Casa Triângulo apresenta a partir de 23 de novembro, sábado, Mar interior, individual de Alex Cerveny [São Paulo,/SP, 1963. Vive e trabalha em São Paulo/SP]. Com desenhos e pinturas inéditas a mostra, permanece em cartaz até o dia 21 de dezembro, com entrada franca.
Como as cheias do Pantanal mato-grossense, a exposição Mar interior contou quase com um ano para estar inteiramente formada. Nesta mostra, Alex Cerveny exibe por volta de cinquenta trabalhos, entre pinturas e desenhos, realizados sob forte inspiração acerca do que é a pujança visual da bacia do rio Paraguai, localidade ilhada entre o Brasil e a Bolívia, região de infinitas áreas alagadiças.
O apuro técnico é um denominador comum na obra de Alex Cerveny. Ele não se prende a uma única técnica ou material: desenhos, esculturas, pinturas, bordados, colagens, cerâmicas, fotografias e gravuras, estão presentes em sua obra.
Como tema, utiliza-se de referências históricas, “algumas delas biográficas, como as figuras retorcidas e elásticas – lembranças de sua vivência de artista circense; outras literárias, e outras, ainda, dos meios de comunicação em massa, criando uma intrigada alegoria”.
A exposição “Mar interior” foi concebida por Alex Cerveny a partir de duas viagens realizadas à região da Serra do Amolar, no Mato Grosso do Sul, entre 2012 e 2013. Na primeira viagem o contato com a Escola Jatobazinho despertou o desejo de realizar um projeto de arte-educação.
A Escola Jatobazinho, parceria público privada entre a prefeitura de Corumbá e a organização da sociedade civil Acaia Pantanal, atende crianças que vivem em fazendas e portos ao longo do Rio Paraguai onde o acesso ao transporte, saúde e educação é um permanente desafio. Não apenas alunos, mas o corpo pedagógico e sua equipe de apoio, buscam através da experiência, fórmulas para superar os desafios do isolamento. Neste contexto a arte-educação pode ser uma contribuição significativa para o desenvolvimento destes alunos.
Nesta certeza, alunos, professores e monitores, em conjunto com o artista Alex Cerveny, com o apoio do programa “Desafios Contemporâneos” da FUNARTE, realizaram quatro murais nas paredes dos dois dormitórios da escola, que proporcionaram uma sensação de acolhimento e pertencimento para os participantes.
Com o intuito de dar continuidade a projetos de arte na Escola Jatobazinho, a Casa Triângulo e Alex Cerveny se comprometem em doar 10% da renda desta exposição.
Para Marcio Harum, em texto de apresentação, “No conjunto de obras em exibição ainda estão incluídas duas pinturas fortes de paisagem noturna, feitas a óleo sobre a semitransparência do linho. A sós, em meio à natureza, uma índia e um índio, representando em oposição as duas margens de um mesmo rio, como figuras deslocadas e postas na contraordem do tempo cronológico, sugerem repensarmos a impossibilidade real dos encontros, principalmente aqueles que têm sido mediados por toda sorte de anteparos digitais, o que faz a vida desembocar na falta de espontaneidade a que estamos absolutamente sujeitos nos dias de hoje”.
Para saber mais:

SERVIÇO:
Mar interior | individual de Alex Cerveny
Desenhos e Pinturas inéditas
Abertura: 23 de novembro, sábado, das 12h às 17h
Visitação: 26 de novembro a 21 de dezembro de 2013

local: casa triângulo
endereço: rua pais de araújo 77  [Itaim bibi]
tel: 11 3167-5621
site: www.casatriangulo.com
horário de funcionamento: de terça a sábado das 11 às 19 horas

Mais informações:
Assessoria de Imprensa: Solange Viana – t. (11) 4777.0234 | solange.viana@uol.com.br | HTTP://solangeviana.blogspot.com

Leia texto de apresentação da exposição de Alex Cerveny

Abaixo texto de Márcio Harum, para apresentação da exposição "mar interior" de Alex Cerveny, que abre em 23 de novembro na Casa Triângulo.


Guarânia da baía Vermelha
Marcio Harum

Como as cheias do Pantanal mato-grossense, a exposição Mar interior contou quase com um ano para estar inteiramente formada. Nesta mostra, Alex Cerveny exibe por volta de cinquenta trabalhos, entre pinturas e desenhos, realizados sob forte inspiração acerca do que é a pujança visual da bacia do rio Paraguai, essa localidade ilhada entre o Brasil e a Bolívia, região de infinitas áreas alagadiças, um mar sem costa, maré cheia nem vazante, mas de margens que borram lenta e constantemente o mapa do centro sul-americano. Na busca talvez de um oceano, o Atlântico, vê-se como sobrevoadas de monomotor marcaram o artista durante o período de intenso trabalho, no qual barqueou por sistemas hidroviários, deu aulas de arte para crianças em um projeto socioeducativo e explorou a cavalo um pouco da região da serra do Amolar, nas proximidades de Corumbá (MS).

São dois grupos de obras de dimensões variáveis que compõem a mostra – os “hidrográficos”, que, na ponta do pincel da associação poética, apresentam gestos rápidos, baseados em registros de memórias, pessoas, lugares e momentos ali vividos no entorno pantaneiro, finas aquarelas negras sobre papel branco levíssimo; e desenhos que reavivam fluxos de navegação do caminho fluvial Paraguai-Paraná, esse corte hidrográfico ao longo de 3.500 quilômetros, símbolo do programa de integração continental, que atravessa ao meio a América do Sul. Despontam nessa série figuras de seres metamorfoseados em homem-peixe e duelos de animais complementares – contraditórios, como os do homem versus jacaré –, firmando, assim, pela imaginação do artista, o caráter da exposição. Com a intuição na mira de certos aspectos da cosmogonia guarani, Cerveny evoca com Mar interior a origem do mundo e os fenômenos do surgimento da condição humana em meio à natureza selvagem.

O segundo agrupamento é constituído de cinco desenhos maiores, nos quais aguadas de fundo azul mancham o peso da gramatura do suporte em papel. Uma fina tinta preta de traços suavemente delineados e o uso das folhas de prata caracterizam a série, como se houvesse sido criada por delicados acordes ancestrais de uma harpa cosmológica, ao extroverter em sua grandeza e fragilidade uma rara visão interior sobre a gênese do Universo, na qual estrutura e evolução parecem ser respostas diretas às tentativas de apreensão dos métodos para o estudo dos sonhos.

No conjunto de obras em exibição ainda estão incluídas duas pinturas fortes de paisagem noturna, feitas a óleo sobre a semitransparência do linho. A sós, em meio à natureza, uma índia e um índio, representando em oposição as duas margens de um mesmo rio, como figuras deslocadas e postas na contraordem do tempo cronológico, sugerem repensarmos a impossibilidade real dos encontros, principalmente aqueles que têm sido mediados por toda sorte de anteparos digitais, o que faz a vida desembocar na falta de espontaneidade a que estamos absolutamente sujeitos nos dias de hoje.

Mar interior suscita os antigos conhecimentos a respeito do significado da “Terra sem mal”(Ivy marãey); nas tradições tupi-guarani, indivíduos e grupos que abandonam suas aldeias e saem em busca de uma superação ambivalente, rejeitando a ordem do convívio social, sem precisar de fato da morte como passagem para tal feito, alcançam essa força de transformação pela prática de exercícios migratórios e de caminhadas sem rumo. Ao deixarem para trás a coletividade da aldeia e o peso de ser homem, sofrem de uma transmutação de homens em deuses, conquistando sua entrada para habitar, enfim, a “Terra sem mal”.